Um fimdi em BH

Alguns amigos queridos estarão passando por BH em breve para um casório no interior e, com tanta vontade que fico que elas tenham uma experiência maravilhosa na minha cidade natal, resolvi compilar aqui umas dicas e links que acho legais para que a viagem seja um sucesso. 🙂

Pedacinho da Praça da Liberdade - foto do Estado de Minas

Pedacinho da Praça da Liberdade – foto do Estado de Minas

Chegando em BH de avião
Passagem comprada, vai googlar o aeroporto de Confins e se descobre que ele faz bem jus ao nome, distante um bocado da área central da cidade. Antes de resolver alugar carro ou pegar um taxi, minha recomendação é ir para BH no busu do Conexão Aeroporto (veja os preços e faça as contas de acordo com suas necessidades…). Uso sempre, tem um guichê já perto da saída do ônibus, aceita cartão de crédito e o ponto final é bem no centro da cidade. De lá, pode-se pegar um taxi para qualquer lugar.
Onde se hospedar
Minha opinião é que a melhor região pra ficar e turistar é a região de Lourdes. Quanto mais próximo da Praça da Liberdade, melhor a localização. Por isso acho perfeita a localização do Ibis Liberdade, na Av. João Pinheiro, pertinho de tudo. Dali se está a um passo dos Centros Culturais na Praça da Liberdade, da Feira Hippie, Mercado Central, bares, teatros, restaurantes. Dá pra fazer muita coisa (quase tudo) a pé. Há uma concentração maior de hotéis pros lados da Savassi e da Av. Alvares Cabral, também. Descendo em direção à Rodoviária, já ficará mais próximo do centrão da cidade.
Restaurantes Mineiros
Por incrível que pareça, praticamente não conheço os famosos. Comida mineira pra mim é comida de casa, pra encontrar a família – um bom tropeiro, um torresminho e linguiça caseiros, um tutu de feijão…. de sobremesa, queijo de Minas com doce de leite, goiabada feita em casa. Mas deixo aqui alguns restaurantes famosos da cozinha mineira caso queiram um almoço típico:
http://www.restaurantexapuri.com.br – este eu conheço. Tem uma carne seca na moranga divina e uma mesa de doces mineiros de enlouquecer.
Se não tem mar…
Olhe praquele botequinho copo sujo em qualquer esquina em BH. Pode ter certeza que a cerveja estará gelada e que lá tem algum petisco da casa que, por mais comum que seja, será preparado com primor. Frequentar bar, em BH, é programa de família – dê uma volta na cidade no sábado à tarde e você verá pessoas de todas as idades, estirpes, gêneros e inclinações políticas pelos bares da cidade. Há alguns lugares clássicos e cada mineiro tem o seu boteco do coração. Eu morei em Santa Teresa, então meus dois bares são de lá: o Bolão, na Praça do bairro, e o bar do Chumba. Lembro com saudades do filé rochedão e do macarrão a bolonhesa do primeiro e dos pasteis de carne do segundo, nham! O melhor é consultar o Comida di Buteco pra ver quais os bares próximos de onde você está. Para dificultar as escolhas, alguns links abaixo.
Foto Luciano Baêta em Skyscrapercity

Skyline de BH – foto: Luciano Baêta

Noite em BH
Ah, a cidade tem uma noite incrível. Tem excelentes boites, ótimos restaurantes, mas sobre esses eu não posso dar dicas, não conheço. Quando vou a BH ou me encontro com os amigos em suas casas ou vou para algum barzinho. Então como sugestão para a noite, sendo que as minhas começam e terminam cedo, eu deixo o Albano´s, que tem um chopp excelente, serviço de primeira qualidade e tira-gostos saborosos. O Albano´s da rua Rio de Janeiro é uma graça. Vai lá ver em http://www.albanos.com.br/.
Comidinhas
Dois lugares para comprar coisinhas de comer em BH a serem visitados, caso tenham tempo.
O primeiro também é atração turística, que é o Mercado Central, um excelente lugar para almoçar também. Lá você encontra todas as iguarias mineiras para levar ou, como no meu caso, para repor o estoque quando a crise de abstinência de queijo ou doce de leite ataca. Gosto de almoçar no Casa Cheia e ver o movimento do mercado.
Conheça o Mercado aqui http://www.mercadocentral.com.br/
O segundo lugar é o supermercado Verdemar, onde há o melhor pão de queijo congelado da cidade. Lá também eu faço meus estoques e trago pra casa. Compro lá mesmo a sacola térmica que eles vendem, encho de saquinhos de pão de queijo e biscoitos 3 queijos (tipo um pão de queijo turbinado com mais queijos) e volto pra casa bem feliz.
Compras
O Mercado, já citado acima, e a famosa Feira Hippie. Quando dizem que ela é grande, que tem tudo, acho que não dá pra visualizar ou preparar uma pessoa para o que vai encontrar. Por isso que quando vou falar da Feira eu googlo logo uma foto aérea e mostro. Ela é ENORME. Para visitar a Feira, eu recomendo:
1- Chegar cedo (entre 7h-8h), porque ela enche rápido e as coisas boas também acabam rápido. E indo cedo você pode ir almoçar no Mercado Central, que nos domingos fecha às 13h. Pra mim é uma casadinha perfeita.
2- Se gostar de algo, compre logo na barraquinha. Sim, há chances de vc encontrar algo parecido mais pra frente, mas se caiu de amores, compre. Voltar em uma barraca na Feira Hippie é pesadelo.
3- Leve todas as formas de pagamento, principalmente dinheiro e cheque. Muitas lojas já aceitam cartão de crédito/débito, mas não são todas. E com dindin na mão a negociação fica mais interessante.
4- Se possível, não leve crianças ou adultos que não curtam compras. O programa é exaustivo, vão acabar se estressando e o programa não vai acabar não sendo bom pra ninguém. Combine de encontrar com essas pessoas no Mercado Central. Todo o mundo sai ganhando! 😀
Não há um site oficial da Feira Hippie, mas achei os links abaixo, todos com informações bem interessantes sobre a Feira.
Feira Hippie

O Parque Municipal e a Feira Hippie

Passeios em BH

Graças à todos os santos e orixás já se foi o tempo que BH era simplesmente um pouso pra os que iam visitar as cidades históricas. Além dos programas citados, que já animam bem um fim de semana, ainda temos:
O Conjunto Arquitetônico da Pampulha
A Igreja de São Francisco é realmente linda em todos os seus detalhes. Se estiver com pouco tempo, pelo menos pare pra ver a igreja no caminho pro Aeroporto…
O Circuito Cultural na Praça da Liberdade
Que coisa linda fizeram com a Praça da Liberdade! Ali eu passaria uma semana inteira só entrando e saindo dos museus. São modernos, interativos, alguns têm cafeterias bem interessantes.
Não conheço todos ainda, mas sempre em BH aproveito umas horinhas para visitar mais um. Recomendo o Memorial Minas Vale, o Museu das Minas e do Metal, a Casa Fiat de Cultura. Mas há ainda o Palácio da Liberdade, o CCBB de BH, que ainda preciso conhecer…
Museu de Artes e Ofícios 
Ah, essa é uma falta grave no meu currículo. Ainda não conheço o MAO. Mas sei que ele é lindo. Localizado na Praça da antiga Estação Central Ferroviária (para os íntimos: Praça da Estação) que foi totalmente restaurada, ele apresenta aos visitantes a história do trabalho e dos diversos ofícios presentes na vida do brasileiro nos últimos 3 séculos.
Cerveja Artesanal
BH hoje fervilha com muitas microcervejarias que produzem bebida de excelente qualidade. Há inclusive roteiros cervejeiros na cidade, já.
Elas ficam na saída da cidade, mas se você for um grande apreciador da bebida, recomendo visitá-las.
Tem a Kud, com cervejas com nomes de clássicos do rock e tonéis de aço batizados com nomes das grandes bandas – http://www.cervejariakud.com.br/. Se for lá, tome uma Tangerine ou uma Ruby Tuesday por mim. Lá tem um restaurante e abrem para eventos.
A Backer eu não conheço, mas meus amigos falam muito bem –  http://www.cervejariabacker.com.br/
Inhotim
Você já sabe das cidades históricas. E hoje a grande novidade da cidade é ir visitar Inhotim. Um guia completo está no site Viaje na Viagem, do guru e querido Ricardo Freire.
Que tal combinar a volta de Inhotim com uma paradinha no Restaurante Topo do Mundo para o por do sol?

Serra da Moeda – Foto: Jornal Hoje em Dia

A intenção é deixar estes meus amigos apaixonados por esse pedacinho querido de Minas e com vontade de voltar. Consegui? Depois me contem.

Alguns blogs sobre BH e Minas
http://www.viaggiando.com.br/search/label/CCPL (veja no Blog Viaggiando também o ótimo link sobre Viajar sem despachar bagagem. Um dia eu chego lá!)

Botecos de BH colocam a cidade no NY Times…

É claro que um dia iam descobrir o verdadeiro valor de Beagá. O NY Times fez recentemente uma matéria excelente sobre Belo Horizonte. O texto é tão bom, se fosse em português eu o utilizaria para apresentar a cidade para todos que não a conhecem. 

Bh é isso aí mesmo: a cidade toda é um grande boteco. Ah, que delícia. E como tem boteco decente! Lugares honestos com cervejinha gelada e tira-gosto farto por preço justo. Adoro todos. TODOS, até os que ainda não conheço. Segue abaixo link e matéria, para a posteridade. Ai, que emoção! Ai, que saudade…

(melhor parte da matéria, o ‘manual básico de sobrevivência do bêbado’ que tá no final do texto)

http://travel.nytimes.com/2007/10/28/travel/28next.html?ref=travel

Next Stop | Belo Horizonte, Brazil

A Town Where All the World Is a Bar

Lalo de Almeida for The New York Times

Bar do Caixote one of Belo Horizonte’s plentiful informal botecos.

 

By SETH KUGEL

Published: October 28, 2007

BELO HORIZONTE, in the Brazilian state of Minas Gerais, has managed to become the country’s third-largest city while remaining almost completely unknown to the outside world. If tourists — more drawn to the sybaritic pleasures of Rio de Janeiro or the urban clamor of São Paulo — know it at all, it is because they may pass through it on their way to Ouro Preto and Diamantina, treating it as a little more than a refueling stop as they head toward those picturesque colonial-era mining towns.

Its international anonymity was born of no coastline and thus no beaches, no famous Carnival and thus no February madness, and no big attractions save a few buildings designed by Oscar Niemeyer that pale next to his famous works in Brasília.

But Beagá, the city’s nickname (from the pronunciation of its initials in Portuguese), does have a claim to fame: as the bar capital of Brazil. Not bars as in slick hotel lounges or boozy meat markets, but bars as in botecos, informal sit-down spots where multiple generations socialize, drink beer and often have an informal meal. If you believe the local bluster, there are 12,000 bars in the city, more per capita than anywhere else in the country. Why, no one is completely sure, but one theory has turned into a popular saying: “Não tem mares, tem bares.” Loosely: “There are no seas, thus there are bars.”

And though tourist guidebooks barely make mention of them, they make for a great way for travelers to dive into the social life of a city whose metropolitan area has exploded in recent decades to over five million inhabitants. The best time to come is for the eighth annual Comida di Buteco competition in April, when some 40 of the top bars square off in categories like hygiene, beer frigidity, service and most importantly, best tira-gosto — or appetizer. Winners are decided not just by judges but by public ballot, giving Belo-Horizontinos a flimsy excuse to go out every night for a month.

If you miss it, don’t worry. Every night of the year seems to have something of a party feel in this off-the-radar screen hot spot. Get your feet wet at Mercearia Lili (Rua São João Evangelista, 696, Santo Antônio, 55-31-3296-1951), a regular participant in Comida di Buteco. It is one bar of many in Santo Antônio, an upscale neighborhood of steep hills that require superhuman parallel parking skills or, preferably, use of the city’s metered taxis.

The bar is typical in many ways, not least of which is the furniture: yellow plastic tables and chairs, with the maroon Skol beer logo, spilling out onto the sidewalk (600-milliliter bottles of the Pilsener Skol, to be shared in small glasses, are the citywide order of choice). The buzz of conversation and the clink of bottles — not a D.J. — provide the soundtrack; grey hair and what in the United States would be underage youth share the tables.

Not far away is Via Cristina (Rua Cristina, 1203, Santo Antônio, 55-31-3296-8343). It’s more upscale with tables covered in green and white checkerboard tablecloths, uniformed waiters and a wall of cachaça — hundreds of different bottles of the sugar cane liquor — that the bartenders use a library-style bookshelf ladder to reach. Their entry in this year’s contest was the Raulzito, a fritter-like pastry filled with dried beef that can be had for two reais (about $1.10 at 1.84 reais to the dollar)

If there were a Comida di Buteco award for “Hardest to Get To,” the Freud Bar (no address, Nova Lima, 55-31-8833-9098, freudbar.com for map) would win every year. The place is plunked down in the middle of some woods outside the city, down a winding unpaved road. The bar is built into a hill, warmed by a bonfire, and has a few tables actually in the surrounding trees. It has live music (blues and rock), and serves a limited but creative menu, like mulled wine, or a cup of squash, mozzarella and chicken soup (3.50 reais), a nice break from the bean and pork rind soup that is available at just about every boteco.

Botecos are not just nighttime affairs, as you’ll find if you head to the city’s Central Market on a weekend afternoon. Sure, there are stands selling fruit, meat, the state’s famous cheese, live dogs and birds (as pets), and live hens (as dinner). But the market is also full of uproarious, packed bars like Lumapa, where authorities must chain off a chokingly slender pedestrian walkway so the non-beer-drinking shoppers can get by. A calmer choice is Casa Cheia (Central Market, store 167, Centro, 55-31-3274-9585) a sit-down place serving all its past Comida di Buteco creations, like the Mexidoido chapado, a mishmash of rice, vegetables, four kinds of meat, and quail eggs.

It is also worth heading to the more far-flung neighborhoods to see some of the quirkier takes on the bar theme. (With 11,999 competitors, you do what you can to stand out.) The ultra-informal Bar do Caixote (Rua Nogueira da Gama, 189, João Pinheiro, 55-31-3376-3010) literally means “Bar of the Crate,” and sure enough, the tables and chairs are wooden crates. The overall winner of the 2007 Comida de Buteco, Bar do Véio, or “Bar of the Old Guy” (Rua Itaguaí, 406, Caiçara, 55-31-3415-8455) is in an outer neighborhood and your cab driver may have trouble finding it, but anyone in the area can direct you. Their simple dish of chunks of pork and tiny golden-fried balls of potato served with a standout pineapple and mint sauce was the 2007 tira-gosto winner.

When you need a bar break, take an afternoon trip to the Pampulha neighborhood, where several Niemeyer buildings stand, including his famous Church of São Francisco de Assis. The neighborhood also houses Belo Horizonte’s most famous restaurant, Xapuri (Rua Mandacaru, 260, Pampulha, 55-31-3496-6198), the best place in town to try the traditionally rustic cuisine of Minas Gerais. And Sunday morning, you can find unusual gifts at the Hippie Fair (a k a the Feira de Arte e Artensanato da Afonso Pena), two long blocks on Avenida Alfonso Pena crammed with clothing, jewelry, household goods and crafts. When you’re done, stop at food stalls at either end for fried fish or coconut sweets, or pop into the beautifully landscaped Municipal Park park just below the fair to relax. In either place, you won’t be far from a vendor ready to crack you open a can of Skol. In Belo Horizonte, the world’s a bar.

VISITOR INFORMATION

HOW TO GET THERE

Flights from New York to Belo Horizonte usually require a stop in São Paulo. A recent Web search showed round-trip fares on TAM Brazilian Airlines starting at about $1,100 for travel in November.

WHERE TO STAY

The Mercure Belo Horizonte Lourdes (Avenida do Contorno, 7315, 55-31-3298-4100; www.mercure.com), part of a dependable chain, is modern and theirs is always a taxi waiting out front for you. Double rooms start at 174 reais on weekends and 245 reais during the week ($95 and $133 at 1.84 reais to the U.S. dollar).

PORTUGUESE BAR PRIMER

Cerveja (sare-VAY-zha): beer; Garrafa (ga-HAHF-ah): bottle; Chopp (SHO-pee): draft beer; Mais uma!: I’ll have another!; Desce mais uma rodada: One more round; Saideira (sah-ee-DARE-a): One last round. 

Coisinhas lindas pra gente se acorrentar

Acorrentados

Paulo Mendes Campos


Quem coleciona selos para o filho do amigo; quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava; quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho; quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia; quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre; quem se ri das próprias rugas; quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental; quem procura na cidade os traços da cidade que passou; quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada; quem costura roupa para os lázaros; quem envia bonecas às filhas dos lázaros; quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira; quem manda livros aos presidiários; quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio; quem escolhe na venda verdura fresca para o canário; quem se lembra todos os dias do amigo morto; quem jamais negligencia os ritos da amizade; quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona; quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga; quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos; quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças; quem guarda as cartas do noivado com uma fita; quem sabe construir uma boa fogueira; quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens; quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência; quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição; quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ; quem leva a sério os transatlânticos que passam; quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz; quem de repente liberta os pássaros do viveiro; quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo; quem julga adivinhar o pensamento do cavalo; todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.


Texto extraído do livro “
O Anjo Bêbado“, Editora Sabiá – Rio de Janeiro, 1969, pág. 105.

Frio é relativo….

Oque acontece aos… 30ºC ou mais:

Baianos vão à praia, dançam, cantam e comem acarajé.

Cariocas vão à praia e jogam futebol.

Mineiros comem um feijão tropeiro.

Paulistas estão no litoral e enfrentam 2 horas de fila nas padarias e supermercados da região.

Curitibanos esgotam os estoques de protetor solar e isotônicos da cidade.

…25ºC:

 Baianos não deixam os filhos saírem ao vento após 17h.

Cariocas vão à praia, mas não entram na água.

Mineiros comem um “queijin” na sombra.

Paulistas fazem churrasco nas suas casas do litoral e ainda entram na água.

Curitibanos reclamam do calor e não fazem esforço devido ao esgotamento físico.

20ºC:

Baianos mudam os chuveiros para a posição “Inverno” e ligam o ar quente das casas e veículos.

Cariocas vestem um moletom.

Mineiros bebem pinga perto do fogão a lenha.

Paulistas decidem deixar o litoral, começa o trânsito de volta para casa.

Curitibanos tomam sol no parque.

…15ºC:

Baianos tremem incontrolavelmente de frio.

Cariocas se reúnem para comer fondue de queijo.

Mineiros continuam bebendo pinga perto do fogão a lenha.

Paulistas ainda estão presos nos congestionamentos na volta do litoral.

Curitibanos ainda dirigem com os vidros abaixados.

…10ºC:

Decretado estado de calamidade na Bahia.

Cariocas usam sobretudo, cuecas de lã, luvas e toucas.

Mineiros continuam bebendo pinga e colocam mais lenha no fogão.

Paulistas agora estão presos nos congestionamentos na cidade de São Paulo.

Curitibanos botam uma camisa de manga comprida.

…5ºC:

Bahia entra no armagedon.

Cesar Maia lança a candidatura do Rio para as Olimpíadas de inverno.

Mineiros continuam bebendo pinga e quentão ao lado do fogão a lenha, que já se assemelha a uma fogueira de São João.

Paulistas vão a pizzarias e shopping centers com a família.

Curitibanos fecham as janelas de casa.

…0ºC:

Não existe mais vida na Bahia.

No Rio, Cesar Maia veste 7 casacos e lança o “snoubórdi in Rio”.

Mineiros entram em coma alcoólico ao lado do fogão a lenha.

Paulistas vão para Campos do Jordão e enfrentam 2 horas de fila para sentarem em restaurantes e barzinhos.

Curitibanos fazem um churrasco no pátio… antes que esfrie.

Mineirim porreta

O período de fama nacional do Marcos Valério já passou, mas achei esse texto nos meus guardados e resolvi jogar aqui. Não sei quem é o autor. Mas é excelente!!!

O melhor do Brasil é o brasileiro… (Silvio Lach)

O tal do Marcos Valério pode ser lobista, armador, ladrão, laranja, picareta e tudo o mais que falam dele. Concordo em gênero, número e grau. Mas justiça seja feita: o Marcos Valério é gente que faz. Estou para ver um cara trabalhar tanto. Abre conta, pede empréstimo, apresenta banqueiro para ministro, dá aval, viaja, almoça com um partido, janta com a oposição, monta outra empresa, monta numa grana, assina milhões de cheques e milhões em cheque, manda dinheiro pra fora, traz dinheiro pra dentro, lava tudo, tenta criar um banco, arma o caixa dois de todo mundo, queima um charuto com os amigos, queima uns documentos com outros, entra em licitações, ganha concorrências, paga o empréstimo dos outros, cobra o empréstimo dos que não pagaram, liga para o ministro, abre conta em outros estados, contrata assessor de imprensa, tira matéria que ia sair na revista, compra uns cavalinhos para a filha, compra uns cavalinhos no Congresso, bota a secretária na Justiça, cuida das fazendas, compra gado, some com o gado, contrata carro-forte, compra uns carros para a esposa, se encontra no hotel com um, no restaurante com outro, fecha um patrocínio, pega as 15 malas e vai para o aeroporto, conversa com outros malas no avião, divide a grana, faz a entrega, se reúne com os fundos de pensão, pega uma pensão dos fundos, discute cargos, pega uma conta de telefonia, faz intermediação entre empresas e o governo, ganha comissão e, o que dá mais trabalho: esconde que fez isso tudo.

E eu reclamando que fazer uma coluna diária de humor dá trabalho… Ufa!

Comidinhas em extinção

Semana passada fui presenteada com uma comidinha baiana que está em extinção, o acaçá. Ele tá em extinção, segundo fui informada, porque é difícil de fazer, de conservar, estraga logo…dá um trabalhão… etc etc etc.

Ele tem um sabor parecido com o da tapioca, mas a consistência é diferente. E a forma é de um mini abarazinho, embalado nessas folhas de bananeira. É comida de orixá, origens africanas.

Acho que, se não tomarmos muito cuidado, outra comidinha que pode entrar em extinção é o pão de queijo caseiro. Porque há uns 15 anos atrás, havia duas possibilidades de comer pão de queijo, em Minas: ou comprar na padaria, já pronto, quentinho, ou ajudar a fazer a massa em casa e colocar pra assar, por aquela receita que só a sua familia tinha, e que era melhor quando a sua mãe/tia/vó fazia. Minha mãe mesmo tinha umas 3 receitas, que fazíamos com frequência, desde que tivesse um queijo digno de ser utilizado para este fim e era quase um ritual familiar – um ajudava a ralar o queijo, o outro mexia a massa (cansa…) etc etc….

Hoje não – apesar de não ter o sabor desses aí, a gente acaba comprando esses pães de queijo congelados, da Casa do Pão de Queijo ou Forno de Minas ou outro que se diz caseiro qualquer, que só enganam quem não é mineiro. Pra mim, eles parecem biscoito de ovo. Não tem queijo!!!! Impressionante!!!!

Mas há uma exceção: o Pão de QUeijo do Supermercado Verdemar, em BH. Não tem gostinho ‘roots’ de pão de queijo caseiro, mas é um congelado que vale, tem sabor, tem queijo, tem cheiro bom. Deve haver uma dessas doninha com cara de tia da gente coordenando a linha de produção, só pode….

Todo dia… era dia de indio….

Por uma boa parte da população de amigos mineiros com quem convivo, eu sou conhecida não como Adriane, e sim como Xingu. Vai entender lá porque esse apelido pegou… eu segui as instruções de mamãe: “não ligue, que aí pega. Se você não ligar, o apelido passa, as pessoas param.” Só que eu, em vez de não ligar, dava corda. Aí o efeito foi inverso e eu, aos 32 anos, mais de 20 anos depois de ganhar esse apelido, ainda sou gritada nas ruas de Beagá por Xingu.

Foi na quinta série, 1986 e eu com corte de cabelo channel, na altura da orelha. E com essa têz que me persegue (graças a deus. Adoro minha cor). E o Haroldo, professor de Matemática, com a mania de botar apelido em metade da sala. O meu foi Xingu porque na época estava passando o documentário Xingu na Rede Manchete – lembra?. E então ele dançava o Quarup na frente da sala… hoje, pensando bem, não sei o que ele queria. Coitado, né, os professores realmente fazem qualquer coisa pra atrair a atenção de um bando de pré-adolescentes, na faita dos 11 a 13 anos. O que sei é que todo o mundo ria e eu identifiquei, óbvio que inconscientemente, uma marca que eu poderia explorar. Quem estudou comigo até o terceiro ano científico sabe no que deu – meu primeiro fenômeno de popularidade.

De lá pra cá, muitos fatos engraçados: desfile de fantasia na escola (tenho foto, no segundo ano do segundo grau, não coloco aqui porque vai que copiam…); professores que não se lembram de mim pelo nome e sim pelo apelido; amigos da época que atéééé hoje encontro e me chamam de Xingu. “Adriane” é para estranhos. Não tenho o que reclamar, é um apelido muito querido e que me rendeu boas amizades.

Um fato que não esqueço foi estar uma vez zanzando pela Feira Hippie, ainda morando em BH, e ouvir a Rádio Feira me chamar: “Atenção Matheus, Aurélio e Xingu – Isabel aguarda vocês em frente da entrada principal do Palácio das Artes”. Essa familia Quirino, sei não….

E, também, a ligação de praxe que eu recebo no dia de hoje – o Matheus pode até esquecer meu aniversário, como geralmente acontece. Mas o Dia do Índio, ainda não me recordo de um ano que ele tenha esquecido….

Outro dia a Helena me chamou de Xingu. Fiquei horrorizada. Logo ela, que me conhece desde o pré-primário! Tsc, tsc, tsc. Mas acho que pode ser um case de valor agregado a marca (branding) a ser estudado… ou então, assumir: é realmente o fim dos tempos!