Feliz 2008 e Feliz 2009!

 Meu 2007 começou em Praia do Forte e terminou em Amsterdam.  

Amsterdam, primeiros minutos de 2008

 2008 começou em Amsterdam (claro, a não ser que eu tivesse um teletransportador pra ser diferente…) e terminou em Praia do Forte. 

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Reveillón na Europa é bem diferente do nosso. Lá tá um frio tremendo, a festa começa de tarde e vai até a meia-noite, com muito sofrimento, ehehe, quando todos vão embora.  Demos sorte de não estar nevando… Dizem que a melhor virada do ano na Europa acontece na Escócia, que tem rituais de passagem. De resto, são festinhas bem normais para os nossos padrões, e uns ‘traques’ que eles chamam de fogos de artifício… não é uma data em que prefeituras e bureaus de turismo se importem em gastar muito dinheiro, eu acho. Eles se importam mais com o Natal – e estão certos, já que em alguns lugares da Europa até podem ter um “White Christmas”. Mas o que fez o Reveillón ficar muito especial foi a companhia – eu estava com a Carolzinha, depois de meses sem a gente se ver.  

Adri e Carol

 Gosto muito do texto sobre o Réveillon do Riq Freire, que transcrevo abaixo. Sempre digo que não sou muito empolgada com a festa de ano novo – não como a maioria – mas não posso negar que esse sentimento de renovação e promessas de ‘daqui pra frente’ também me acometem nessa época do ano… 😛  Mas defendo que o melhor lugar para passar o Réveillon é perto de casa, pois tudo fica proibitivamente caro nessa época do ano. Falar isso é fácil, quando se mora na praia, né não? 😉  Estando sem grana, basta ir à Barra, alugar umas cadeiras, ver a queima de fogos e pular as ondinhas! E o ano novo tem tudo para ser maravilhoso!

 O país do réveillon

Ricardo Freire

 
Não há ano que passe sem que muito papel e tinta sejam gastos para lamentar a inexistência de um Natal autenticamente brasileiro. Mas não é por falta de frio e neve que essa festa do Hemisfério Norte não combina com o Brasil. É por falta de prosperidade, mesmo.
Veja bem: nos países ricos os cidadãos aproveitam a desculpa da vinda de Jesus para sair às compras e entupir-se uns aos outros de presentes. Entre nós a desculpa é outra: a vinda do Décimo Terceiro. Em lugar de comprar presentes para meio mundo, entretanto, nós saímos por aí pagando dívidas e substituindo os eletrodomésticos cuja troca não dava mais para adiar.
O problema do Papai Noel nos trópicos não é a roupa pesada nem a barba falsa: é sua total inadequação econômica. Se o brasileiro pudesse inventar um personagem natalino verde-amarelo, ele se chamaria, não há dúvida, Amigo Secreto. Sua indumentária característica seria uma máscara de Zorro. O Amigo Secreto apareceria na casa da gente imediatamente depois da novela, sortearia presentes comprados de última hora pela parentada e então sumiria na noite, montado em sua moto 100 cilindradas com o adesivo DISK-NATAL decalcado no baú.

Não, Natal não é com a gente. Nosso negócio é o Réveillon.

O Réveillon é talvez a única unanimidade nacional. Você certamente conhece alguém que não se interessa por futebol ou quer distância de Carnaval – mas duvido que saiba de algum brasileiro que não gosta de Réveillon. Nenhum outro povo, por mais rico que seja, tem o know-how do brasileiro para a passagem de ano.

Não existe festa mais triste do que um Réveillon fora do país. Quando você percebe que é a única pessoa no recinto a vestir branco da cabeça aos pés, sua vontade é de pegar o primeiro vôo para o Brasil – nem que isso signifique passar a meia-noite dentro de um avião.

Mas nosso Réveillon não é único no mundo só porque pulamos sete ondas ou porque mandamos flores e perfumes para Iemanjá. A verdade é que nosso Réveillon tem um significado inteiramente diferente do Réveillon dos outros.

Nos países onde o Natal é a festa mais importante, o Réveillon marca o final da ressaca – uma época em que as pessoas fazem um exame de consciência e elaboram Resoluções de Ano-Novo (assim, com iniciais maiúsculas). É tempo de comprar esteira elétrica, iniciar a dieta de South Beach, parar de fumar e chegar cedo ao trabalho. Nós até temos uma data assim – só que ela cai na Quarta-Feira de Cinzas.

O Réveillon dos brasileiros é o oposto de tudo isso. É a data mágica em que todos os nossos erros dos últimos 365 dias são anistiados. Não importa como tenhamos nos comportado, uma coisa é certa: o ano seguinte vai ser melhor. Se a maré foi de má sorte, não tem problema – à meia-noite do dia 31 a ziquizira vai embora. Nossa única Resolução de Ano-Novo é, dois-pontos, ser feliz.

Sorte nossa, que ficamos por aqui e vamos poder virar o ano de branco – e, quem sabe, até, pular sete ondas. Não se esqueça de entrar o ano com o pé direito. E que tudo se realize no ano que vai nascer!

 

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