Como esses homens reclamam….

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Depois de uma conversa no final de semana, me lembrei do texto abaixo,
 que li há uns 3 anos na VIP. Quem escreveu foi a Ailin Aleixo, na coluna
 “A mulher honesta”. Fui na web, descobri o texto e coloco aqui nos meus
 guardados, pra passar pra todos os meus amigos que vierem se queixar que
 um dia têm que fazer exame de próstata.
 

Papanicolau, o Mau
 Homens pensam que abrir as pernas é a maior moleza: só deitar ali,
 arrancar a calcinha e correr pro abraço. Na maioria das vezes, é até
 verdade, mas um dia no ano, durante muitos anos, esse ato tão banal e (se
 a moça tiver sorte) corriqueiro vira um martírio abissal: o dia do
 papanicolau.
 Menos uma data santa e muito mais um mergulho no inferno do desconforto,
 o dia do tal papa começa com aquele famoso “pode se despir e colocar esse
 avental com a abertura voltada pra trás”. Peladas, descalças sobre o chão
 frio e com um ventinho batendo na bunda, vamos (nós, mulheres) nos
 encaminhando para a sala de exame. Ao abrir a porta, temos a visão do
 hall do Hades: uma maca coberta por lençol de papel, dois apoios para os
 pés, um computador esquisitão e um médico com aquele sorriso polido que
 diz, na verdade, “não precisa ficar sem graça só porque jamais te vi na
 vida e agora vou enfiar e cutucar até a sua amígdala”.
 Enfim, deitamos. Deslizamos a bunda até a beira da maca, abrindo até a
 alma para a exploração iminente, encaixamos os calcanhares nos
 apoiadores. “Agora relaxe.” Respiramos fundo e então ele adentra o âmago
 do nosso ser. Gelado, mais duro do que estamos acostumadas, fino,
 metálico. Um troço bizarro chamado espéculo. Ele percorre o caminho que
 você, querido leitor, faz coisas absurdas e inconfessáveis para percorrer
 e enfim chega ao ponto final: ali pertinho do colo do útero, onde alguns
 homens adoram brincar de bate-estaca, nos provocando sensações tão
 agradáveis quanto uma perfuração de tímpano. E, então, expiramos
 aliviadas. Por pouco tempo.

 COÇANDO OS OVÁRIOS

 Algo dentro de nós se expande e alarga. Quer dizer, mais ou menos dentro.
 Dentro e fora, pra ser exata. O bico de pato estilizado afasta nossas
 caras-metades inferiores até que a zona do agrião fique completamente,
 absolutamente, inteiramente aberta e livre para o ataque final: o dedo. E
 nessa hora, que horror, uma tremenda vulnerabilidade nos assola. Além de
 escancaradas, temos um pedaço de mão cutucando cada canto e cavidade,
 procurando caroços, carnes estranhas e toda sorte de possíveis doenças.
 Mas não é nelas que pensamos enquanto nossa bexiga é pressionada e os
 ovários são coçados. Pensamos é no quanto aquela situação lastimável vai
 durar. E então, num transe anual, enxergamos o mundo através dos olhos de
 Einstein: o tempo mesmo relativo (o exame nunca dura mais que cinco
 minutos, mas parece que daria para assistirmos a Spartacus e à trilogia de
 O Senhor dos Anéis na seqüência).
 Você já acha suficiente? Ah, quanta inocência! A retirada do dedo não é o
 fim, é o anúncio da hora da entrada de um tipo de palito de sorvete que
 escarafuncha e raspa nossas umidades para retirar o “material” que será
 analisado e dirá se nossa querida xana está 100% em ordem e habilitada
 para uso contínuo. Só daí somos despirulitadas (retiram do meio de nós o
 que estava nos espetando) e fechamos tudo o que estava aberto.
 E pensar que a homarada faz o maior estardalhaço e arma um baita
 dramalhão mexicano só por causa de uma mera dedadinha no traseiro. Mas
 como são mocinhas, não? ::

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2 pensamentos sobre “Como esses homens reclamam….

  1. Esse texto é de doer só pela lembrança, mas muito bem escrito! Serve para lembrar aos homens o quanto nós sofremos. Parabéns pela coragem de descrever em minúcias nossa triste visita ao gineco!

  2. Angélica, obrigada, mas a coragem e riqueza de detalhes é da Ailin Aleixo, não é minha não, rsrs. Ela escrevia pra VIP na época, hoje não sei onde ela está, mas escreve muito bem.

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